1986 — 1989
O Cruzado foi criado pelo Plano Cruzado, lançado em 28 de fevereiro de 1986, durante o governo de José Sarney. A conversão foi de 1.000 cruzeiros para 1 cruzado.
Foi o primeiro grande plano heterodoxo de estabilização da economia brasileira, marcado por um sucesso inicial expressivo, seguido de fracasso no médio prazo.
O Brasil havia acabado de sair do regime militar, em 1985, e vivia o entusiasmo da redemocratização. Ao mesmo tempo, enfrentava uma inflação elevada, superior a 200% ao ano.
O plano promoveu o congelamento de preços e salários, e a população passou a atuar como “fiscais do Sarney”, denunciando aumentos considerados ilegais.
Inicialmente, houve forte aumento do consumo, impulsionado pela estabilização momentânea. Porém, a ausência de ajustes estruturais levou rapidamente ao desabastecimento de diversos produtos.
O governo optou por adiar ajustes econômicos mais profundos até após as eleições de novembro de 1986.
Após a vitória do PMDB, foi implementado o Plano Cruzado II, que promoveu a liberação de preços. Como consequência, a inflação retornou de forma acelerada, levando ao fracasso do plano.
A principal lição deixada foi clara: sem ajuste fiscal consistente, qualquer tentativa de estabilização tende a falhar.
Conversão: Cz$ 1,00 = Cr$ 1.000,00 (corte de 3 zeros)
Inflação caiu rapidamente de cerca de 200% ao ano para níveis próximos de zero nos primeiros meses
Desabastecimento de produtos como carne, leite e automóveis
Planos posteriores — Bresser (1987) e Verão (1989) — também fracassaram
Nilton Romani