Na quinta Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas – Rio 2025, organizada pela Sociedade Numismática Brasileira, representantes de 33 países reuniram-se no Rio de Janeiro para quatro dias de palestras, exposições e integração institucional.
O evento homenageou Osvaldo Martins Rodrigues Júnior com medalha comemorativa e destacou o papel da Heritage Auctions como patrocinadora estratégica.
Os discursos enfatizaram a numismática como elo histórico das Américas, desde a prata de Potosí e o ouro brasileiro até os primeiros dólares norte-americanos, defendendo a integração continental e o fortalecimento da comunidade científica e colecionista.
Rio 2025 consolidou-se como marco internacional da numismática, unindo memória, pesquisa, mercado e amizade.
A quinta Convenção Internacional de Historiadores e Numismatas – Rio 2025 – consolidou-se como um dos maiores encontros numismáticos já realizados nas Américas. Organizado pela Sociedade Numismática Brasileira, o evento ocupou três andares do Hotel JW Marriott Copacabana, reunindo 33 países, representantes de toda a América, Europa, Ásia e Oceania.
Logo na abertura, destacou-se a dimensão estrutural do encontro: salão de comercialização com 18 empresas nacionais e estrangeiras, ciclo de palestras acadêmicas, estandes institucionais – incluindo a Casa da Moeda do Brasil – e áreas dedicadas aos patrocinadores ouro e diamante. Entre estes, a Heritage Auctions foi reconhecida como parceira estratégica desde as primeiras edições.
O evento contou ainda com apoio institucional da Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, reforçando o reconhecimento público da numismática como patrimônio cultural e atividade de relevância econômica.
A trajetória das Convenções Internacionais iniciou-se em Potosí (2016), seguiu por Arequipa (2018), Cartagena das Índias (2021), Santo Domingo e agora chega ao Rio de Janeiro. O próximo destino já está definido: Buenos Aires, em 2027.
O espírito do encontro ultrapassa o colecionismo. Em discursos emocionados, organizadores enfatizaram que o verdadeiro eixo da convenção são as pessoas: jovens estudantes dividindo espaço com veteranos de mais de oito décadas, pesquisadores dialogando com comerciantes, professores inspirando novas gerações.
A diversidade etária e geográfica foi apresentada como prova de maturidade da numismática latino-americana, hoje integrada em rede continental e global.
Mantendo a tradição das convenções, foi cunhada medalha comemorativa em homenagem a Osvaldo Martins Rodrigues Júnior, membro fundador do Comitê Internacional de Historiadores e Numismatas e um dos principais articuladores da integração regional.
A medalha simboliza mais de duas décadas de trabalho pela aproximação entre pesquisadores e colecionadores latino-americanos. No reverso, elementos iconográficos como o Pão de Açúcar representam a solidez e o papel diplomático desempenhado pelo homenageado.
Outro momento marcante foi a leitura dos nomes de numismatas falecidos desde a última edição. A cerimônia reforçou a percepção da comunidade numismática como uma família intelectual e cultural, cuja memória é parte essencial da continuidade do campo.
Em intervenção marcante, representantes da Heritage Auctions ressaltaram a unidade histórica das Américas por meio da moeda: a prata de Potosí circulando em todo o continente, o ouro brasileiro regulado na América do Norte, moedas coloniais mexicanas servindo de base para os primeiros dólares continentais.
Foram apresentados exemplos emblemáticos:
8 Reales coloniais do México (século XVI)
Peças de Potosí (século XVII)
Ouro brasileiro do século XVIII
Dólares continentais norte-americanos
Soles argentinos, pesos chilenos e moedas carimbadas do Brasil joanino
O argumento central foi claro: a história monetária americana é interligada, transcende fronteiras políticas e constitui patrimônio comum.
Além do debate técnico, o evento enfatizou valores éticos e humanos. Discursos destacaram três princípios fundamentais:
Priorizar a comunidade acima do interesse individual.
Exercitar a generosidade no compartilhamento de conhecimento.
Manter o prazer e a alegria como essência do colecionismo.
Recordações emocionadas de líderes numismáticos falecidos reforçaram a dimensão afetiva do campo, lembrando que o verdadeiro legado da numismática está nas relações humanas que ela constrói.
Rio 2025 foi definido como divisor de águas para a numismática brasileira. Pela primeira vez, um encontro nascido com vocação latino-americana alcançou dimensão global sem perder sua identidade regional.
Mais do que negócios ou exposições, a convenção reafirmou a numismática como:
Campo científico
Patrimônio cultural
Instrumento de integração internacional
Comunidade intergeracional
A cidade do Rio de Janeiro tornou-se, por uma semana, capital mundial da numismática.
Nilton Romani