Entrevista promovida pela Sociedade Numismática Brasileira com Daniel Oropeza Alba aborda a origem e evolução das Convenções Internacionais de Historiadores e Numismatas, iniciadas em Potosí (2016). O projeto, de caráter bienal, reúne cidades históricas com tradição monetária e reconhecidas pela UNESCO, promovendo integração continental, pesquisa acadêmica e fortalecimento do colecionismo. A quinta edição ocorrerá no Rio de Janeiro em 2025, consolidando o evento como referência internacional na numismática.
Em entrevista conduzida por Osvaldo Rodríguez, vice-presidente da Sociedade Numismática Brasileira, o numismata boliviano Daniel Oropeza Alba apresentou a trajetória das Convenções Internacionais de Historiadores e Numismatas, destacando sua origem, consolidação e projeção para a quinta edição, a ser realizada no Rio de Janeiro em 2025.
Natural de Potosí, cidade histórica da Bolívia, Daniel construiu sua identidade numismática em meio à tradição da antiga Casa da Moeda local, uma das mais relevantes da história hispano-americana. Colecionador desde a infância, ele associa sua vocação à herança cultural de Potosí, comparando a importância da numismática para sua cidade à música clássica para Viena ou à relojoaria para a Suíça.
Durante a entrevista, Daniel apresentou a moeda comemorativa dos 200 anos da Independência da Bolívia (1825–2025), emitida pelo Banco Central da Bolívia, ressaltando o valor simbólico e histórico da peça para o fortalecimento da identidade nacional e para o intercâmbio cultural entre colecionadores.
A primeira grande convenção ocorreu em 2016, em Potosí, e representou um marco na integração continental da numismática. A iniciativa surgiu a partir de encontros informais entre pesquisadores na Casa Nacional da Moeda e evoluiu para um projeto estruturado de cooperação internacional. A proposta consolidou dois critérios fundamentais:
Realização bienal do evento.
Escolha de cidades reconhecidas como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e com tradição ligada a casas da moeda.
Após Potosí (2016), as convenções passaram por Arequipa, Cartagena de Índias e Santo Domingo, ampliando a rede de pesquisadores, colecionadores e instituições envolvidas.
Mais do que um evento acadêmico, as convenções tornaram-se um espaço de fraternidade, intercâmbio cultural e fortalecimento institucional. O comitê internacional atua na promoção da pesquisa histórica, do colecionismo responsável e da formação de novas gerações de numismatas.
A edição Rio 2025, que ocorrerá de 2 a 6 de setembro, promete consolidar essa trajetória, reunindo palestras selecionadas, exposições, apresentações de pesquisas e atividades culturais em museus e espaços históricos da cidade.
A expectativa é de que o encontro no Rio de Janeiro represente mais um passo no amadurecimento científico e na integração continental da numismática, reafirmando o compromisso com o patrimônio histórico e com a cooperação entre países.
Autor do blog:
Nilton Romani