Casa da Moeda de Lisboa - Ouro - 4º Tipo: JOSEPHUS DOMINUS (1749–1757)
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A série "Casa da Moeda de Lisboa - Ouro - 4º Tipo: JOSEPHUS DOMINUS" é uma família de moedas de ouro cunhadas entre 1749 e 1757, durante o reinado de D. José I (1750–1777). Estas moedas, produzidas pela Casa da Moeda de Lisboa, representam um marco na numismática portuguesa devido ao seu alto valor, qualidade de cunhagem e uso extensivo no comércio colonial, especialmente no Brasil. A inscrição "JOSEPHUS DOMINUS" (José, o Senhor) no anverso reflete a autoridade real e as prosperidades econômicas de Portugal no auge do ciclo do ouro brasileiro. Esta série é notável pela sua uniformidade, qualidade artística e relevância no contexto do Império Português.
Período de Produção e Circulação
As moedas desta série foram cunhadas entre 1749 e 1757, embora o reinado de D. José I tenha começado oficialmente em 1750. É provável que as moedas de 1749 tenham sido preparadas no final do reinado de D. João V (1706–1750), com cunhos já específicos para o futuro rei. Essas moedas circulares foram amplamente em Portugal e nas colônias, especialmente no Brasil, onde o ouro extraído das minas de Minas Gerais alimentava a economia colonial. A circulação contínua além de 1757, dado o valor intrínseco do ouro, mas a produção desta série específica foi limitada a esse período.
Casa da Moeda Responsável
A produção foi realizada exclusivamente pela Casa da Moeda de Lisboa, a principal instituição monetária de Portugal, conhecida pela sua excelência na cunhagem de moedas de ouro e prata. Durante o reinado de D. José I, a Casa da Moeda de Lisboa estava bem equipada para produzir moedas de alta qualidade, utilizando ouro proveniente das minas brasileiras. No Brasil, a Casa da Moeda de Salvador (fundada em 1694) e a do Rio de Janeiro (fundada em 1714) também cunharam moedas de ouro, mas esta série específica, identificada como "4º Tipo: JOSEPHUS DOMINUS", foi exclusiva de Lisboa.
Técnicas Utilizadas
As moedas de ouro do 4º Tipo foram produzidas com técnicas avançadas para a época, refletindo o apogeu da cunhagem portuguesa:
- Cunhagem a martelo (transição para prensas mecânicas): Embora as prensas mecânicas tenham começado a ser introduzidas no século XVIII, muitas moedas de ouro ainda eram cunhadas a martelo, garantindo resultados no peso e na gravação.
- Gravação de cunhos: Os cunhos foram gravados manualmente por artes elaboradas, com detalhes finos para retratar o busto de D. José I e símbolos heráldicos.
- Controle de pureza: O ouro utilizado era de alto teor (geralmente 91,67%, ou 22 quilates), garantindo valor intrínseco e acessível no comércio internacional.
Curiosidades
- Ouro brasileiro: O ouro usado nestas pro moedas, principalmente das minas de Minas Gerais, enviado ao Reino como tributo (o "quinto" real). Isso reforça a importância do Brasil na economia portuguesa.
- Valor elevado: As moedas de ouro, como a dobra (12.800 réis), eram usadas em transações de alto valor, como comércio internacional e pagamento de tributos.
- Raridade: Algumas denominações desta série são raras devido à quantidade limitada cunhada e ao desgaste natural das moedas em circulação.
Lendas
As moedas apresentaram a inscrição "JOSEPHUS DOMINUS" no anverso, acompanhada de "DEI GRATIA" (Pela Graça de Deus), colocando a legitimidade divina do rei. No reverso, as lendas geralmente incluíam "REX PORTUGALIAE ET ALGARBIORUM" (Rei de Portugal e dos Algarves), reforçando a soberania de D. José I. Essas inscrições foram gravadas em latim, seguindo a tradição numismática europeia.
Fases Políticas
A cunhagem desta série ocorreu em um período de estabilidade política e econômica sob D. José I, marcado por:
- Reformas do Marquês de Pombal: O reinado de D. José I foi dominado pelas políticas reformistas de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, que modernizou a administração e o comércio colonial.
- Apogeu do ouro brasileiro: O fluxo de ouro do Brasil permitiu que Portugal financiasse projetos ambiciosos, como a residência de Lisboa após o terremoto de 1755.
- Comércio internacional: As moedas de ouro eram amplamente aceitas no comércio global, fortalecendo a posição de Portugal como potência marítima.
Tipos de Bordo
As moedas desta série geralmente apresentam bordos serrilhados ou cordonados, uma técnica usada para prevenir recortes e falsificações. O bordo cordonado, com um padrão em forma de corda, era comum nas moedas de ouro de alto valor, como as dobras .
Reverso: Medalha ou Moeda
Estas moedas são definidas como moedas, não como medalhas, pois tinham valor monetário legal e circulavam como moeda corrente. O reverso geralmente exibe o brasão de armas português, com a coroa real e os sete castelos, simbolizando a união de Portugal e dos Algarves.
Variações
As variações dentro desta série incluem:
- Denominações: Incluíam a dobra (12.800 réis), meia-dobra (6.400 réis) e outras denominações menores, como a moeda de ouro (4.000 réis).
- Detalhes do busto: Algumas moedas apresentadasm variações no retrato de D. José I, com diferenças no estilo do busto ou na coroa.
- Ano de cunhagem: As moedas variavam gradualmente ao longo do ano, com pequenas diferenças no cunho ou desgaste dos moldes.
Gravadores
Os gravadores específicos para esta série não são amplamente documentados, mas a Casa da Moeda de Lisboa empregou artes altamente elaboradas. Os cunhos foram criados por mestres gravadores anônimos, obedecendo a padrões estabelecidos pela coroa.
Sigla e Abridor de Cunho
As moedas frequentemente apresentadas são a sigla "L" (de Lisboa) para indicar a Casa da Moeda responsável. O abridor de cunho, responsável pela criação dos moldes, não é identificado individualmente nos registros históricos, sendo provavelmente um funcionário da Casa da Moeda.
Homenageados
As moedas homenageavam D. José I, cujo busto e inscrição "JOSEPHUS DOMINUS" apareceram no anverso. A figura do rei simbolizava a continuidade da monarquia e a prosperidade do império.
Produção
Esta série foi significativa devido à abundância de produção de ouro do Brasil, mas números exatos de tiragem não são amplamente documentados. As moedas eram cunhadas em grandes quantidades para atender às necessidades do comércio colonial e internacional. Colecionadores podem consultar o catálogo da CCMBR para verificar detalhes específicos de tiragem e raridade.
Metal Utilizado
O metal utilizado era ouro de 22 quilates (91,67% de pureza), com um peso que variava conforme a denominação. Por exemplo, uma dobra de 12.800 réis pesava cerca de 28,7 gramas, enquanto uma meia-dobra pesava aproximadamente 14,3 gramas. A alta qualidade do nosso garantia a acessibilidade das moedas em transações internacionais.
Referências
Gomes, AJ (2003). Moedas Portuguesas e do Território que Hoje é Portugal . Lisboa: Associação Numismática de Portugal.
Krause, CL, & Mishler, C. (2008). Catálogo Padrão de Moedas do Mundo . Iola: Krause Publications.
Prober, K. (1984). História Numismática do Brasil Colonial . São Paulo: Edição do Autor.
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