Carlos Campos
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Clique para ouvir o texto completoNumismática “Figital”: da Universidade à Escola
Preservação, inovação e acesso público no Brasil e em Portugal
Durante evento da Sociedade Numismática Brasileira, o professor Carlos Eduardo Campos, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), apresentou um panorama consistente sobre como a numismática acadêmica pode ultrapassar os muros da universidade e alcançar a escola e a sociedade.
A proposta central é clara: transformar pesquisa científica em acesso público, educação e inovação digital, sem perder o rigor metodológico.
Numismática como cultura material
O ponto de partida da exposição foi a materialidade. Trabalhar com numismática é trabalhar com cultura material — isto é, com objetos produzidos pelo ser humano que permitem interpretar:
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História
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Economia
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Poder político
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Religiosidade
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Iconografia
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Processos técnicos de cunhagem
A moeda deixa de ser apenas objeto de coleção e passa a ser documento histórico tridimensional.
Além disso, o professor destacou a necessidade de pensar o futuro da disciplina diante de transformações como criptomoedas e meios digitais de pagamento.
Laboratório, pesquisa e trabalho em equipe
O trabalho é desenvolvido no Laboratório de Estudos Interdisciplinares da Antiguidade da UFMS, envolvendo:
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Pesquisa acadêmica
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Formação de alunos
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Cooperação com museus
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Produção de modelos digitais
Um ponto enfatizado: numismática universitária não é trabalho isolado. Ela depende da colaboração entre:
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Docentes
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Discentes
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Museólogos
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Colecionadores
O diálogo com colecionadores amplia o conhecimento técnico, especialmente em tipologias, variantes e processos de cunhagem.
O conceito de “Figital”
A proposta metodológica apresentada baseia-se na integração entre:
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Espaço físico
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Espaço digital
Esse conceito, chamado de fijital (físico + digital), utiliza:
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Fotogrametria
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Modelagem 3D
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RTI (Reflectance Transformation Imaging)
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Inteligência artificial
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Plataformas digitais de acesso aberto
O objetivo é criar realidades mistas interativas para preservação do patrimônio numismático.
Fotogrametria e modelos 3D
Em parceria com o Museu Histórico Nacional (MHN), foi desenvolvido um amplo trabalho de digitalização de moedas, incluindo acervo greco-romano — um dos maiores fora da Europa.
Resultados já alcançados:
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146 traduções do latim
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146 fotografias em alta resolução
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146 análises histórico-arqueológicas
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146 levantamentos bibliográficos
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Modelos tridimensionais interativos
Esses modelos permitem:
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Visualização do anverso e reverso
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Respeito à rotação original da moeda
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Leitura epigráfica comentada
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Identificação iconográfica
O professor criticou modelos internacionais que alteram a rotação original da peça, pois isso compromete a fidelidade científica da reprodução digital.
RTI e recuperação de moedas desgastadas
A técnica de RTI permite:
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Realçar inscrições desgastadas
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Recuperar leitura epigráfica
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Melhorar análise iconográfica
Essa metodologia é especialmente relevante para moedas provenientes de solos ácidos, como ocorre na Península Ibérica.
A cooperação internacional inclui a Universidade do Minho, em Portugal, onde o projeto será aplicado ao acervo local.
Identificação de falsificações
Um aspecto importante foi a análise técnica que permitiu identificar moedas pertencentes à série das chamadas “falsas paduanas”.
A pesquisa não apenas digitaliza — ela qualifica, autentica e documenta criticamente o acervo.
Divulgação científica: dois caminhos
1ï¸âƒ£ Arqueologia Virtual
Conteúdo não interativo (vídeos e animações que narram a história da peça).
2ï¸âƒ£ Arqueologia Digital
Ambiente interativo onde o usuário manipula o modelo 3D.
Todo o material é disponibilizado gratuitamente, com foco especial em escolas públicas.
Impressão 3D e inclusão
A digitalização permite também:
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Impressão 3D de moedas
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Uso pedagógico em sala de aula
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Inclusão de alunos com deficiência visual
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Apoio a estudantes neurodivergentes
A numismática torna-se ferramenta concreta de acessibilidade.
Da ciência para a escola
Entre as iniciativas educativas destacam-se:
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Projeto “Do Escambo ao Pix” (evolução dos meios de troca até Bitcoin)
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Formação de professores municipais e estaduais
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Recepção de escolas na universidade
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Produção de cartilhas e coletâneas digitais
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Quiz educativos sobre Roma e iconografia monetária
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Série “Uma moeda de cada vez” (vídeos de 1 minuto nas redes sociais)
O objetivo é popularizar a ciência e despertar interesse em jovens — seja como historiadores, seja como futuros colecionadores.
Expansão internacional
O projeto ultrapassou fronteiras e hoje é aplicado em Portugal, qualificando acervos e implementando experiências museológicas voltadas para escolas.
Desafios
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Falta de equipamentos
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Necessidade de fomento
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Formação de professores
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Baixa compreensão social sobre o valor da numismática
Pontos fortes do projeto
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Preservação digital do patrimônio
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Acesso gratuito
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Inovação metodológica no Brasil
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Integração entre academia e colecionadores
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Aplicação educacional direta
Reconhecimento e formação
O professor destacou a influência decisiva da professora Marici Martin Magalhães, cuja atuação formadora na graduação foi fundamental para sua trajetória.
O encerramento reforçou a ideia central do evento:
A aproximação entre academia e colecionadores é essencial.
A numismática só se fortalece quando conhecimento circula.
Conclusão
A apresentação demonstra que a numismática contemporânea não está restrita ao gabinete do pesquisador ou à vitrine do colecionador. Ela se insere no campo das humanidades digitais, na educação básica, na inclusão e na inovação tecnológica.
O modelo “figital” apresentado pela UFMS pode se tornar referência nacional para:
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Museus
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Universidades
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Projetos educacionais
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Plataformas digitais como o NumisPlay
A moeda, nesse contexto, deixa de ser apenas objeto histórico e torna-se ponte entre passado, tecnologia e formação cidadã.
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