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Análise Química e Caracterização de Casas da Moeda do Século XVII por XRF

Durante a convenção promovida pela Sociedade Numismática Brasileira, foi apresentada uma pesquisa inovadora voltada à caracterização química de moedas de prata do século XVII por meio de espectrometria de fluorescência de raios X (XRF). O estudo busca estabelecer perfis composicionais capazes de identificar e diferenciar grandes casas da moeda que atuaram no contexto da expansão comercial global.

Contexto Histórico

O século XVII marca o início da consolidação do comércio intercontinental. Para a pesquisadora australiana responsável pelo estudo, o período possui relevância particular: foi nessa época que europeus tiveram os primeiros contatos com a Austrália. Navios holandeses que navegavam rumo à Ásia — transportando grandes quantidades de prata americana destinada ao mercado chinês — naufragaram na costa da Austrália Ocidental.

Grande parte dessa prata era oriunda das minas americanas e cunhada em casas da moeda como:

  • Potosí

  • Cidade do México

  • Lima

  • Sevilha

  • Utrecht

Esse fluxo de prata — América → Europa → África → Ásia → Oceania — representa um dos primeiros sistemas verdadeiramente globais de circulação monetária.

Metodologia Científica

A pesquisadora analisou aproximadamente 320 moedas de prata pertencentes à coleção da American Hispanic Society, utilizando um equipamento portátil de XRF emprestado pelo Metropolitan Museum of Art.

A técnica XRF é não destrutiva: um feixe de raios X incide sobre a superfície da moeda, excitando os átomos presentes. Quando os elétrons retornam ao seu estado original, emitem energia característica de cada elemento químico. A leitura do espectro permite identificar e quantificar elementos como:

  • Prata (Ag)

  • Cobre (Cu)

  • Ouro (Au)

  • Chumbo (Pb)

  • Bismuto (Bi)

Como a técnica analisa apenas a superfície, existe o risco de que contaminações superficiais distorçam os resultados. Para minimizar esse problema, os dados foram normalizados considerando Ag, Cu, Au, Pb e Bi como base de 100%, seguindo metodologia experimental validada por estudos comparativos entre superfície e núcleo metálico.

Cada moeda foi analisada seis vezes (três no anverso e três no reverso), garantindo maior robustez estatística.

Construção do Banco de Dados

O objetivo central não era caracterizar moedas individuais, mas definir a “assinatura química” média de cada casa da moeda. A partir das análicas, foram identificados padrões relevantes:

  • Maior variabilidade de ouro em determinadas casas.

  • Elevada presença de cobre nas casas holandesas.

  • O bismuto mostrou-se excelente elemento traçador para diferenciação entre mints.

Para interpretar os dados multivariados, foi utilizada análise fatorial (semelhante à Análise de Componentes Principais – PCA), permitindo reduzir múltiplas variáveis químicas a dois eixos gráficos e visualizar agrupamentos por origem.

Observou-se sobreposição entre casas holandesas — algo esperado — e distinções mais claras em casos como Sevilha e Guatemala.

Aplicação Prática: Moeda de Origem Incerta

Como teste, foi analisado um shilling de 1652 da Colônia da Baía de Massachusetts, região que não possuía minas de prata próprias.

O algoritmo comparou sua composição com o banco de dados e indicou maior similaridade com moedas de Potosí e México, sugerindo mistura de metais provenientes dessas regiões.

O método não apenas aponta a origem mais provável, mas também fornece percentual de similaridade com cada centro produtor.

Conclusão

A pesquisa demonstra que a combinação entre análise química não destrutiva e estatística multivariada permite:

  1. Caracterizar casas da moeda do século XVII.

  2. Identificar a origem provável de moedas sem documentação histórica.

  3. Compreender fluxos globais de prata no início da economia mundial integrada.

Trata-se de uma aplicação sofisticada da ciência dos materiais à numismática histórica, ampliando o potencial investigativo da disciplina e aproximando-a das ciências exatas.


 

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